21 junho 2006

Vem o amado .....

Nympheas (Water-Lilies), 1906, Claude Monet, Art Institute of Chicago, Chicago, Illinois
Janela, Junho de 2006, Rui Pedro Matos

Monte Brasil, Angra do Heroísmo, 2006, Rui Pedro Matos

Hoje, depois de ter estado à conversa com um excelente amigo, em video-conferência (ai que boas são estas modernas tecnologias de informação e comunicação), acabámos a nossa conversa no Livro Cântico dos Cânticos, do Antigo Testamento, um livro alegórico em que Deus é o amado e Israel ou a Igreja a amada, mas que pode ser também lido como um cântico nupcial, atribuído às núpcias de Salomão com uma filha do faraó.

Dividido em oito partes ou capítulos, todos são de uma beleza extraordinária e podem ser interpretados de múltiplas maneiras!

Deixo-vos o capítulo 2:

"Eu sou o narciso de Saron, Eu sou o lírio dos vales.

Ele

Tal como um lírio entre os cardos é a minha amada entre as jovens.

Ela

Tal como a macieira entre as árvores da floresta é o meu amado entre os jovens. Anseio sentar-me à sua sua sombra, que o seu fruto é doce na minha boca.

Leve-me para a sala do banquete, e se erga diante de mim a sua bandeira de amor.

Sustentem-me com bolos de passas, fortaleçam-me com maçãs, porque eu desfaleço de amor.

Por baixo da minha cabeça Ele põe a mão esquerda e abraça-me com a sua mão direita.

Eu vos conjuro, mulheres de Jerusalém, pelas gazelas ou pelas corças do monte: não desperteis nem perturbeis o meu amor, até que ele queira.

A voz do meu amado! Ei-lo que chega, correndo pelos montes, saltando sobre as colinas.

O meu amado é semelhante a um gamo ou a um filhote de gazela.

Ei-lo que espera, por detrás do nosso muro, olhando pelas janelas, espreitando pelas frinchas.

Fala o meu amado e diz-me:

Ele

Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada!

Eis que o Inverno já passou, a chuva parou e foi-se embora; despontam as flores na terra, chegou o tempo das canções, e a voz da rola já se ouve na nossa terra; a figueira faz brotar os seus figos e as vinhas floridas exalam perfume.

Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada!

Minha pomba, nas fendas do rochedo, no escondido dos penhascos, deixa-me ver o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz.

Pois a tua voz é doce e o teu rosto, encantador.

Agarrai-nos as raposas, essas raposas pequenas que devastam as vinhas, as nossas vinhas já floridas.

Ela

O meu amado é para mim e eu para ele, ele é o pastor entre os lírios, até que rebente o dia e as sombras desapareçam.

Volta, meu amado, e sê como um gamo ou um filhote de gazela pelas quebradas dos montes."

Ct 2, 1-17

Nada como ler e reflectir.....

Este é o meu pequeno Ponto(s) de Vista de hoje!

5 Comments:

Blogger jorgesteves said...

Uma reflexão estimulada por duas óptimas fotografias integradas; não sei se mistura, no entanto, o sortilégio do solsticio...

abraço,
jorgesteves

quarta-feira, junho 21, 2006  
Blogger pintoribeiro said...

Bonito, muito bonito. E atento. Um abraço.

quarta-feira, junho 21, 2006  
Anonymous Morgaine said...

é lindo. Li e reli. Adorei mesmo. Obrigada por teres partilhado aqui porque nem sempre temos tempo para procurar coisas belas; quando nos surgem à frente assim é agradável. Acho que ao fim de um dia stressante este texto acalmou-me e fez-me sorrir.

quarta-feira, junho 21, 2006  
Blogger Maria P. said...

ler, reflectir e suspirar...
beijinho

quarta-feira, junho 21, 2006  
Blogger Roderick said...

Um pequeno grande ponto de vista.
E bastante belo.

quarta-feira, junho 21, 2006  

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